Espetáculo Clássicos da Mímica apresentado por Gabriel Grimard na Cia do Abração, em 27 de fevereiro. Gabriel Grimard é pesquisador na área de mímica e clow, e contribuiu no processo de pesquisa dos novos projetos "Histórias Brincantes de Muitos Amigos" e "Kartas de Uma Boneka Viajante".
segunda-feira, 2 de março de 2015
Clássicos da Mímica
Espetáculo Clássicos da Mímica apresentado por Gabriel Grimard na Cia do Abração, em 27 de fevereiro. Gabriel Grimard é pesquisador na área de mímica e clow, e contribuiu no processo de pesquisa dos novos projetos "Histórias Brincantes de Muitos Amigos" e "Kartas de Uma Boneka Viajante".
sábado, 21 de fevereiro de 2015
Pirandopoles*
Preciso escrever!
PALAVRAS!
Mesmo que não faça sentido nesse momento, no final de tudo,
encontro um sentido para os meus pensamentos que estão a 1000 km/h.
Nossa!
Estou em casa após um intenso ensaio. Minha cabeça está
quase dando um tiuithxu* de tanta informação. Acho que preciso fazer algo com elas, então
vou colocá-las no papel.
Iniciamos o trabalho nessa semana após o Carnaval, conduzido por Guga Cidral, um menino
maluquinho como nós, porem com uma dose
de pimenta maior.
Enquanto escrevo tento organizar os meus pensamentos, pois
estou envolta por imagens, tintas, musica e poesia. Uma misselania* de elementos,
todos na minha mente e no meu coração.
A palavra pinta, a tinta voa, a música fala e nós... nós?
Onde estamos no meio dessa bagunça gostosa? Não sei mais o que é a musica, o
que é a tinta, o que é o som e que são
as palavras. Ah, tudo isso agora somos
nós. Como é possível?
Magia!
Mas, Vamos começar do começo.
Iniciamos o trabalho brincando com as palavras, através da
musica, da poesia e dos sons.
Guga, trouxe a Coletânea das poesias de Cecilia Meireles
narrada por Paulo Autran.
Ouvíamos as doces palavras de Cicília e tentávamos nos tornar a poesia a partir do
nosso corpo. Brincamos, exploramos inúmeras possibilidades. Um turbilhão de
sentimento surge em mim, alegria, tristeza,energia de viver,solidão.... Só resta entregar-se e fluir, como a vida,
como o rio, que simplesmente segue seu fluxo em busca de um caminho. Respirar
fundo é o comando, tire os pés do chão e vá além.
Construindo um rabo! Será que é um rabão? Ou um Rabinho?
Pensamentos: “Que esquisito” “que lindo” “Ops! me
desequilibrei”. “AI!”
Palavras- água, eco, terra, mentira, liberdade, harmonia,
amigo, favela, natureza viva, natureza
morta, cores, fruta, pé...palavra,palavras...
Com gestos e formas corporais, dávamos vida às palavras.
Recebemos muitos materiais, papeis com muitas cores, azul,
amarelo,rosa, vermelho.
Estávamos livres para construir, reconstruir, rasgar, picar,
dançar, compor, voar e brincar com os papeis, sempre conectados com a musica e a condução do Guga.
1° paço- Construir uma bailarina em um dos integrantes. (não
sejamos óbvios)
Na construção, fomos criando formas com o papel e compondo a
nossa bailarina João. Num misto de idéias e
harmonia criamos uma linda bailarina clown, com laçinhos e espada.
2° paço- desconstrução.
Desconstruímos a bailarina João, e com os retalhos de papeis
criamos uma bailarina no ar, cada pedaço de papel que cada um segurava se
transformava em um pedaço da bailarina. As pernas, a saia , os braços e todo o
seu corpinho. Em um corpo só dançamos
com ela pelo espaço.
3° paço- Construção e desconstrução.
Como o vento que passa levando as
folhos, deixamos nossos papeis voarem. E o próximo comando foi “A CUCA”. Em um corpo só, reunimos os
retalhos que pairavam pelo ar, e quando menos esperávamos nossa Cuca surgia.
MANACA!! Gritou ele do alto do morro.
Já sei, é um pássaro. Vamos voar muito alto! Ops, não voa! Está
na terra e bem enraizado. Descobrimos que é a árvore do Brasil. Que bela flor.
Delicada, lilás e cheirosos.
Individualmente fomos para o nosso quintal. Para construí-lo
com o papel e as cores. Uma maquete do
nosso pequeno grande universo criativo.
Algo abstrato se construía, aos poucos as formas ganhavam
vida ou a nossa imaginação dava vida a elas. Uma pequena tribo surgia, uma indústria
de idéias, o jardim das violetas, a árvore de borboletas, um totem, uma ponte
com piranhas vegetarianas e um barco no alto da industria de idéias, faziam a
entrega das idéias em barcos pelo mundo. E naquela dia, havia chovido colorido.
Enfim, o portal se abriu. 1,2,3, e já! Estamos em casa!
Considerações finais:
Um estado de criança, simplesmente ser. Não precisamos fingir. É um estado natural que
conseguimos alcançar. Acho que isso é
liberdade.
Enfim... O outro dia! TANTA TINTA!
Ah! Menina tonta.
Toda suja de tinta
mal o sol desponta!
(sentou-se na ponte,
muito desatenta...
e agora se espanta:
quem é que a ponte pinta
com tanta tinta?...)
A ponte aponta
e se desaponta.
A tontinha tenta
limpar a tinta,
ponto por ponto
e pinta por pinta...
Ah! A menina tonta!
Não viu a tinta na ponte
Quanta tinta Guga!
Começamos de tarde preparando a sala para a noite tão
esperada! A noite da tinta.
Fizemos quadrados com os papeis, deixamos a sala limpa e
organizada. Mal sabíamos como ela ficaria no final da noite. Só Tinta e
gargalhada!
Cada um escolheu um quadrado de papel e um pote de tinta.
Começamos com uma palavra e essa palavra era o inicio de muitas outras que se
transformavam. Do AR surgiu a ARARA, do PÓ surgiu o POMAR. Da MÃO surgiu SIMÃO. Da FÉ surgiu o FETO. Em movimentos circulares passávamos de um
quintal para o outro, e íamos complementado o quintal do outro com a nossa
arte. Somos muito arteiros eu acho.
Começamos pela pontinha do dedo e um pinguinho de tinta. E de
repente esse pinguinho de tinta de transformou em uma tempestade de pingos brancos,
amarelos, azuis e vermelhos. E quando
percebemos, nos tornamos a tinta!
Voltamos para o nosso jardim inicial. Guga colocou a canção “antigamente”
e entramos no universo das Kartas, da menina que deixava para trás a sua
boneca. Caminhei pelo espaço, sentia como se cada quintal tivesse uma boneca
que um dia fora deixado por alguma criança. A boneca de Ju, o boneco de João, a
boneca de Karin, o robô de Edgard. Queria acalentá-los, mas a solidão de cada um
era tanto que não pude.
Avistei alguém, repleto de cores e esquisitices. Simplesmente
sentei e ali fiquei. A chuva de tinta cobria o meu corpo e quando percebi,
aquele homem engraçado, me protegia da
chuva me envolvendo em um manto de plástico.
E a poesia aconteceu.
Considerações finais:
Um mergulho poético na tinta. “Fique muda e o mundo se
abrirá” e assim aconteceu.
Tiuithxu*- Quando não conseguimos dar conta das
informações em nossa mente;
Misselania*- Um misto de coisas meladas;
Misselania*- Um misto de coisas meladas;
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Tentando me encontrar no Caminho...
Tenho muitas coisas para escrever, não sei se o que
eu vou escrever agora irá interessar a todos. Mas preciso me expressar e buscar
entender algo que pulsa forte dentro de mim e que eu não tenho conseguido
compreender. Eu mesma eu acho... Acho que é um trabalho bem pessoal e que faz
parte de mim, e nesse momento preciso disso, então não precisa continuar lendo
se não quiser... serei apenas eu, tentando encontrar um caminho, um norte para
minha vida, Deus em mim.
Sou atriz, meu instrumento de trabalho em mim está.
E refletir sobre mim mesma faz parte do meu oficio. Nossa, que linda profissão!
Não vejo como um diário terapêutico, mas sim como
uma ferramenta através da arte para tentar me conhecer, me enraizar e poder ser
e criar com mais força, uma kamila pura e verdadeira, sabendo o que quer com o
teatro e a que veio nesse mundo. Preciso
encontrar, quero encontrar e almejo encontrar.
O que?
FÉ!
É a palavra que pulsa incessantemente dentro mim. Onde está a minha fé? Onde
está a Kamila de fé?
Acho que deixei de lado por um tempo... Mas quero resgata - lá.
É isso, no
processo de histórias Brincantes de muitos amigos quero resgatar a minha querida
AMIGA FÉ. A fé faz sair a FÉra FÉroz que existe em mim, a Fé faz brotar a FÉlicidade
que habita em mim, a fé me deixa mais
FÉliz, a fé faz lembrar o FÉto
que um dia fui e que hoje sou a Kamila FÉrrazzi.
Não quero perder a minha fé, a fé que me alimenta e guia o meu caminho para o belo, para
o bem, mesmo que às vezes doa. A fé faz com que fiquemos pertinho de nós mesmos.
Pertinho de Deus. Quero em mim a FÉ
de Marias, a FÉ de Marilzas, a FÉ de Leticias, a FÉ de Simones e a FÉ de
Cristinas.
Fémenina, fémulher,fécriança, féhomem, févelho!
“Ontem um menino que brincava me falou
que hoje é semente do amanhã...
que hoje é semente do amanhã...
Para não ter medo que este tempo vai passar...
Não se desespere não, nem pare de sonhar
Não se desespere não, nem pare de sonhar
Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs...
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar!
FÉ na vida FÉ no homem, FÉ no que virá!
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar!
FÉ na vida FÉ no homem, FÉ no que virá!
nós podemos tudo,
Nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será”
Nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será”
Gonzaginha.
Deus,
Quero me Mudar!
De casa?
Sim!
Tem certeza?
Não!
O que quer mudar
então? A ti?
Sim, a Mim.
Então não precisa se mudar,
basta mudar.
Mas como?
Não sei. Não sei todas as
respostas.
Como não, você é Deus!
Não, sou apenas você.
Por que estou falando
comigo mesma então? Sou maluca?
Sim!
O que está dizendo?
Sim você é maluca, Fala com
você mesma.
Não está me ajudando
muito...
Acha que a vida é fácil
pequena, busque pelas suas respostas, não exija elas de mim.
Buscar, buscar, buscar....
buscar um motivo... um motivo em Cecília.
“Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
mais
nada.”
Ai menina, por que quer sempre se encontrar?
Por que eu não quero me perder pra sempre.
Sempre se perderá se achar que nunca se encontrará?
Mas eu quero me encontrar.
Mas já se encontrou um dia?
Acho que sim, mas só um pedaçinho de mim, agora tem
todo o resto.
Todo o resto? De que?
De mim ué... Mas o bom é que sou pequenininha então
vai ser mais fácil eu acho.
Ai menina, você é uma graça. Será que está procurando no lugar certo? Vou
te dar uma dica, fique muda e mundo se abrirá.
Mas...
SHIIIIIIII!
Ual... disse a menina que encontrará seu sorriso.
When I was just
a little girl
I asked my
mother, what will I be
Will I be
pretty, will I be rich
Here's what she
said to me
Que Sera, Sera
Whatever will
be, will be
The future's
not ours, to see
Que Sera, Sera
What will be,
will be
When I was
young, I fell in love
I asked my
sweetheart what lies ahead
Will we have
rainbows, day after day
Here's what my
sweetheart said
Que Sera, Sera
Whatever will
be, will be
The future's
not ours, to see
Que Sera, Sera
What will be,
will be
Now I have
children of my own
They ask their
mother, what will I be
Will I be
handsome, will I be rich
I tell them
tenderly
Que Sera, Sera
Whatever will
be, will be
The future's
not ours, to see
Que Sera, Sera
What will be,
will be
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Pequeno Grande Relato de uma Pequena menina no Grande Abração
“Kartas brincantes de muitos amigos carteiros”
Não!
“Bonecas brincantes de amigos viajantes”
Não!
“Histórias de
cartas brincantes e viajantes de muitos amigos”
Ah, desisto.
Não,não desisto, é só o começo!
E começamos ou
recomeçamos bem. Neste misto de criação coletiva e afetiva vamos semeando idéias de um quintal para o outro e assim nos
nutrindo.
O coração começa a pulsar forte... “Será que eu vou dar
conta? que caminho eu sigo? por onde eu
começo?” Bom... Vou começar escrevendo
uma carta, ou 2 ou 3. Através das cartas
que escrevo, tenho conhecido ou reconhecido mais um pouco de cada personagem.
Hora escrevo uma carta de Dora para Franz. Hora escrevo uma carta da boneca
para menina e assim vou seguindo os meus escritos tentando encontrar caminhos
para nossa história.
Bom... Aqui estou no mistério do sem fim a procura do meu
jardim. Já comecei a reconhecê-lo, ouço belas musicas, brincadeiras de criança
e um mundo de poesia.
3 seres estão colorindo o nosso jardim. Em todos os
encontros ouvimos 2 ou 3 musicas de Tom Jobim trazidas por Edgard, lemos
algumas poesias de Cecilia Meireles trazidas por Juliana e vemos algumas imagens de Tarsila do Amaral trazidas por Karin.
Estamos em busca do nosso quintal individual que logo se tornará um quintal em
comum.
Temos recebidos muitos presentes ou pistas que dão a direção
do nosso quintal... Neste caminho recebemos uma oração, que nos guiará durante
todo o caminho.
“Há um menino, há um moleque, morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão
Há um passado no meu presente, o sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra o menino me dá a mão
Me fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir
E não posso aceitar sossegado qualquer sacanagem ser coisa normal
Bola de meia, bola de gude, o solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança o menino me dá a mão
Há um menino, há um moleque morando sempre no meu coração
toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão
Há um menino, há um moleque morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão
Há um passado, no meu presente, um Sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assusta o menino me dá a mão
Ele fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor
Pois não posso, não devo, não quero viver como toda essa gente insiste em viver
E não posso aceitar sossegado qualquer sacanagem ser coisa normal
Bola de Meia, Bola de gude, o solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança o menino me dá a mão
Há um menino, há um moleque morando sempre no meu coração
toda vez que o adulto fraqueja ele vem pra me dar a mão”.
Toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão
Há um passado no meu presente, o sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra o menino me dá a mão
Me fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir
E não posso aceitar sossegado qualquer sacanagem ser coisa normal
Bola de meia, bola de gude, o solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança o menino me dá a mão
Há um menino, há um moleque morando sempre no meu coração
toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão
Há um menino, há um moleque morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão
Há um passado, no meu presente, um Sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assusta o menino me dá a mão
Ele fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor
Pois não posso, não devo, não quero viver como toda essa gente insiste em viver
E não posso aceitar sossegado qualquer sacanagem ser coisa normal
Bola de Meia, Bola de gude, o solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança o menino me dá a mão
Há um menino, há um moleque morando sempre no meu coração
toda vez que o adulto fraqueja ele vem pra me dar a mão”.
Começamos na Primavera que um dia foi velha...como a memória antiga...
Karin, nos
presenteou com um álbum de fotografias. Resgatando a sua e a nossa infância. Obrigada.
Iniciamos o jogo, a prática. Resgatando a brincadeira, nos
aquecemos jogando dança da cadeira. E
agitados com a brincadeira fomos para o nosso quintal individual.
Algumas sementinhas já estão sendo germinadas...
Encontramos uma laranjeira,com muitas laranjas!!
Encontramos os tons de muito tons, o tom do mar, o tom das cores, o tom da
musica e o tom da vida...Tatá, Tom, e Ceci! Sim encontramos o C. Já imaginou se
só existisse o “C”, Cor, comida, coração, caqui, casa... C de Cecília.
Encontramos a aquarela de toquinho, não, de Tarcila, ah... De todos nós.
Com a singela canção de toquinho, nos deixamos levar pela
musica e nos permitimos que as cores entrassem em nosso corpo e pudéssemos
pintar o mundo com nossos gestos. Fizemos uma ciranda, jogamos peteca e apenas brincamos...
Como eu gosto de vocês.
“Numa folha qualquer eu desenho um sol
amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu
Vai voando, contornando a imensa curva
norte-sul
Vou com ela viajando Havaí, Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela branco navegando
É tanto céu e mar num beijo azul
Vou com ela viajando Havaí, Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela branco navegando
É tanto céu e mar num beijo azul
Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião
rosa e grená
Tudo em volta colorindo, com suas luzes a piscar
Basta imaginar e ele está partindo, sereno e lindo
E se a gente quiser ele vai pousar
Tudo em volta colorindo, com suas luzes a piscar
Basta imaginar e ele está partindo, sereno e lindo
E se a gente quiser ele vai pousar
Numa folha qualquer eu desenho um navio de
partida
Com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida
De uma América a outra consigo passar num segundo
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida
De uma América a outra consigo passar num segundo
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Um menino caminha e caminhando chega no muro
E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está
E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida
Depois convida a rir ou chorar
E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está
E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida
Depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o
que virá
O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá
O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
Que descolorirá
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Que descolorirá
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Que descolorirá”
Que descolorirá
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Que descolorirá
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Que descolorirá”
Um novo amigo chegou para colorir o nosso quintal da
criação. Trazido pelo amor do Edgard, Mach vem se achegando no abraço carinhoso
de todos. Com a musicalidade vem plantando sementes do bem. Cantamos e tocamos
juntos, em roda, afinados ou não,ritmados ou não, nos divertimos muito.
Obá! E Falando em musica a Karlinha chegou! Nossa
compositora musical que com sua intuição e amor pela musica, sacraliza os pequenos momentos juntos. Um estado de
concentração e harmonia se cria para que a musica possa fluir e entrar em
nossos corações. “ Voaremos como Pássaros...Tão Alto Tão alto”. É só o
começo... Estou ansiosa!!
“Ai que amor” É como eu chamaria nosso processo criativo
até agora, acho que minhas lágrimas tem Re-significado meu amor pelo teatro, pelo
teatro que fazemos no abração. Estou amando participar deste processo, sinto
que a energia está boa e amorosa e com amor tudo fica gostoso, as dificuldades
se transformam em desafios, nossas duvidas
nos fortalecem e as nossas crises
se tornam risadas e não martírios.
Obrigada por me proporcionarem esses momentos de aprendizado.
Estou na busca dos personagens de “Kafka e a Boneca Viajante”
.
Franz, Dora, A Boneca, A Menina e sua Mãe.
Quem são esses personagens e a que vieram? E como
transpor em uma obra teatral com a nossa linguagem e especificidade? Temos
que conhecê-los ou talvez reconhecê-los bem. Digo reconhecê-los, pois são
personagens humanos, essa humanidade de
cada um existe em nós. Mas precisamos
buscar, buscar para nos encontrar. E
essa busca tem sido muito bela e prazerosa para mim.
Estou tentando encontrar essa menina! Que não é a Miranda, que não é o Dorminhoco e
que não é a Kamila, é a Zizi. Mas que tem a curiosidade da Miranda, a ingenuidade
do Dorminhoco, a doçura e a pimenta de Kamila.
Os encontros tem sido prazerosos, divertidos e profundos.
Isabelle Neri tem assistido os ensaios e contribuído para
o processo de criação.
Hoje ela falou sobre a guerra do escritor com as palavras
e como ir de encontro com cada palavra e união entra ela o lápis e o papel.
Isso me trouxe diversas imagens e vou refletir sobre a construção desse nosso
escritor.
Guga Cidral participou do nosso ensaio hoje também, e contribuiu
muito com a nossa busca. Ele falou sobre
a relação da Boneca com a menina e trouxe a tona uma musica que se chama “Antigamente”.
Será um bom ponto de partida para a construção da relação entre Zizi e a Boneca
K.
“Antigamente eu tinha um nome tão bonito
Antigamente ela era minha mãe
Antigamente eu era a filha mais querida
Antigamente eu vivia de verdade
Agora estou aqui, tão só
Coberta pelo pó
Ela dizia que não ia me esquecer
Que eu sentia como senti um bebê
Me defendia quando me tratavam mal
E até brigava com quem zombava de mim
E agora vai me dar
Só ocupo lugar
Trocava minha fralda mais de vinte vezes
Me desbotei de tanto ela me dar banho
Passava em mim um vidro inteiro de perfume
Depois me maquiava como sua mãe
E agora estou com tanto medo
Voltar ser um brinquedo
Mas que bobinha boneca de estimação
Você vai morar sempre dentro do meu coração
Você pra mim é bem mais que um brinquedo
Você é quem sabe todos os meus segredos
Mesmo que eu nunca brinque contigo
Como alguns anos atrás
Até que eu tento mas já não consigo
Pois me distraio demais
É que eu cresci
Não sei por quê
Não vou fingir
Você tem que entender...
Nem percebi quando tudo perdeu sua graça
Tantas historias parecem que foram apagadas
Mas eu não vou ser daquelas crianças
Que para crescer joga fora a infância
Eu já avisei toda a minha família
Que você eu nunca vou dar
Você vai ser filha da minha filha
Depois que eu me casar
Não vai demorar
Você vai ver
É só esperar
Tente entende”
Antigamente ela era minha mãe
Antigamente eu era a filha mais querida
Antigamente eu vivia de verdade
Agora estou aqui, tão só
Coberta pelo pó
Ela dizia que não ia me esquecer
Que eu sentia como senti um bebê
Me defendia quando me tratavam mal
E até brigava com quem zombava de mim
E agora vai me dar
Só ocupo lugar
Trocava minha fralda mais de vinte vezes
Me desbotei de tanto ela me dar banho
Passava em mim um vidro inteiro de perfume
Depois me maquiava como sua mãe
E agora estou com tanto medo
Voltar ser um brinquedo
Mas que bobinha boneca de estimação
Você vai morar sempre dentro do meu coração
Você pra mim é bem mais que um brinquedo
Você é quem sabe todos os meus segredos
Mesmo que eu nunca brinque contigo
Como alguns anos atrás
Até que eu tento mas já não consigo
Pois me distraio demais
É que eu cresci
Não sei por quê
Não vou fingir
Você tem que entender...
Nem percebi quando tudo perdeu sua graça
Tantas historias parecem que foram apagadas
Mas eu não vou ser daquelas crianças
Que para crescer joga fora a infância
Eu já avisei toda a minha família
Que você eu nunca vou dar
Você vai ser filha da minha filha
Depois que eu me casar
Não vai demorar
Você vai ver
É só esperar
O Primeiro Encontro
Diálogo
Escritor: Olá!
Menina parou de gritar, mas não de chorar
Escritor: Olá!
O que aconteceu?
Menina não disse nada, mas seu olhar choroso
demonstrava toda sua tristeza para o desespero do escritor.
Escritor: Você
se perdeu?
Menina:
Eu Não!
Escritor: Hum...
Onde você mora?
A menina aponta pra diante
Escritor: Entendo...
Alguém machucou você?
Menina:
Eu não!
Escritor: Quer
dizer então que você não se perdeu?
Menina:
Eu Não! Já disse!
Escritor: Quem
então?
Menina:
A minha boneka.
Escritor: Sua
Boneca? (repetiu estupidamente e pois se
a caminhar, olhou para a menina mas não teve coragem de abandoná-la)
Menina:
É! Disse a menina chorosa
Escritor: Onde
Você viu ela pela ultima vez?
Menina: Naquele
Banco!
Escritor: E
Você? Onde estava?
Menina:
Estava lá... Brincando!
Escritor: E
ficou lá muito tempo?
Menina:
Não sei...
Escritor: Ahh!
Espere um pouco! Que bobagem a minha....Qual é o nome da sua boneca?
Menina:
“K”
Escritor: Boneka “K”. Claro! Rindo sem parar...
Menina: Qual
e a graça?
Escritor: Hora,
me desculpe menina, é claro. Não me lembrava do nome! Às vezes sou tão avoado
com tanto trabalho...
Menina: Hum?
Escritor:
Sua boneca não se perdeu... imagina!
Ela foi viajar!
Menina: Viajar?
Escritor: Isso
mesmo.
Menina:
Como Assim? Para onde?
Escritor: Venha,
vamos sentar ali que eu vou te explicar, esse meu trabalho me cansa muito
sabe....
Menina:
Humm... Responde meio duvidosa
Escritor: O seu nome é, é, é, é....
Menina:
Elzi, mas me chamam de Zizi!
Escritor: Claro,
onde eu estou com a cabeça... Zizi! É a sua boneca, claro, pois a Karta é para
você!
Menina:
Que Karta?
Escritor:
A que ela escreveu. A sua boneca “K”
escreveu uma karta pra você explicando
porque foi embora tão de repente. Mas com a pressa, eu acabei por deixa-lá em
casa. Mas amanhã eu trago para você ler, combinado?
Menina: Porque
a minha boneca foi viajar sem mim?
Escritor: Há quanto tempo ela era sua boneca?
Menina: Ela sempre foi a minha boneca!
Escritor: A vida inteira?
Menina: É!
Escritor: Então foi por isso!
Menina: Por quê?
Escritor: Você tem irmãos ou irmãs mais velhos?
Menina:Tenho!
Escritor: Algum se casou?
Menina:Não!
Escritor: Puxa vida...
Menina:Ah! Mas a minha tia Ruti sim!
Escritor: E ela não deixou a casa dos pais?
Menina:Deixou sim!
Escritor: Então,
sua boneca K fez a mesma coisa. Ela está na idade em que as bonecas
precisam se emancipar.
Menina: Hum?
Escritor: Quero dizer... Chegou a hora de deixar a casa
dos pais, para viajar, conhecer a vida, o mundo e talvez um futuro
maravilhoso...
Menina: Sabe...
Ela nunca conversou comigo sobre isso... Mas minha boneca K era mesmo sonhadora. Sabe o que eu mais
gostava nela? O jeito doce que ela olhava o mundo, ela nunca ficava triste,
quando estava com ela tudo ficava mudo! É parecia que tudo mudava...Não falava
muito mais observava tudo, ela nem piscava...
Podia girar sua cabeça ao redor de todo o seu corpo que nem estralava...
Mas por que a minha boneca Escreveu para o senhor?
Escritor: Porque eu sou um carteiro de bonecas!
Menina: ...Mas...
Os carteiros não entregam as cartas nas casas das pessoas?
Escritor: Os
carteiros normais sim, mas não os carteiros de bonecas. As cartas das bonecas
são especiais. Porque são diferentes,
tem que ser entregues as suas destinatárias em mãos. Não acha que seus pais
ficariam surpresos se você, sendo tão pequena, recebesse uma carta? E se eles
preferissem ler antes, por curiosidade? Será que você iria gostar?
Menina: Não!
Escritor: Então!
Menina: Eh... Eu ainda não sei ler muito bem...
Escritor: Esta vendo? Isso acontece com muita frequência.
As meninas que recebem as cartas não conseguem ler, então eu leio para elas! Em
voz alta! Para isso serve um carteiro de bonecas! É um trabalho muito
importante.
Menina: Sabe...
Você ia adorar conhecer a minha vó, ela também trabalha com as bonecas, Mas não é uma carteira como o senhor , é uma médica!
É! médica de bonecas... Sua
especialidade na medicina é.. é... costureira! Ela e uma ótima médica...sempre
cuidou de todos os machucados de Elsi.
Um vez... logo quando Elsi nasceu... pêra ai... Como nascem as
bonecas?
Escritor:
Acho que em bolinhas dentro da canecas!
Por isso se chamam bonecas...
Menina:
Você é meio estranho....mas eu gostei de você. Sabe a “K” é minha única amiga.
Você tem muitos amigos?
Escritor:
Dois!
Menina: Dois! Que legal? Qual é o nome deles...
Escritor: Lápis e papel... Mas acho que estamos meio
brigados!
Menina:
Que pena! Ah, seus amigos me fizeram lembrar da Karta que Minha Boneka “K” me escreveu! Pode Ir buscar
agora?
Escritor: Sinto Muito. Infelizmente meu horário de
trabalho terminou ainda a pouco... E você também tem que ir pra casa não é?
Menina: Os ponteiros ainda não estão juntos... mas
falta pouco... ah... Que horas o senhor
começa a trabalha amanha?
Escritor: Ah que horas você vem ao parque?
Menina: Quando os dois ponteiros estão assim.
Escritor: Ah!
Que bom! Exelente! Bem na hora que eu começo! Amanha você será a primeira.
Menina: Então, vai me trazer a Karta?
Escritor: Claro! Afinal é o meu trabalho!
Menina: Então até amanha!
Escritor: Até amanha Elzi!
Menina: Me chame de Zizi... e espero que você e seus
amigos façam as pazes!
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